Inaugurou no último dia 21 a exposição Rokòmanse do fotógrafo Brunno Covello no Museu de Fotografia de Curitiba.

O projeto, inspirado na trajetória dos haitianos que buscam recomeços em terras brasileiras revela a entrega do fotógrafo ao tema, considerando que muitas das fotografias foram realizadas também no Haiti enquanto desdobramento de uma relação de troca e aprendizagem iniciada no Brasil.

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O primeiro contato de Brunno com os imigrantes aconteceu em 2014 tendo como pano de fundo uma reportagem sobre xenofobia e agressões no ambiente de trabalho.

A partir desse gancho doloroso, estabeleceu-se uma nova possibilidade de relação entre o artista e os fotografados a qual deságua no coletivo como gesto de generosidade por parte dos haitianos e como gesto de reverência e admiração por parte do fotógrafo .

As fotos de Brunno transmitem o olhar de quem foi capturado pela beleza de um povo desconhecido e proveniente de uma cultura capaz de abrir novas leituras de mundo.

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Quando estamos diante das fotos da exposição Rekòmanse, nos esquecemos de que se trata do olhar de um nacional para uma comunidade estrangeira, pois o fotógrafo, a partir de um olhar de curiosidade e respeito, é quem se coloca na posição de estrangeiro, ou seja: daquele que tem a possibilidade de abandonar lugares-comuns para se lançar numa aventura de encantamento diante do desconhecido.

As expedições do fotógrafo, muito mais do que geográficas, foram para dentro. Seja para dentro da cidade de Curitiba buscando compreender de que maneira ela recebe e se relaciona com a realidade de imigração. Seja para dentro da cultura e dos valores dos haitianos, para dentro de sua comunidade ou para dentro de sua terra natal.

Na viagem pelas muitas cores e emoções captadas pelo artista, a diversidade é constantemente celebrada. Entre tantas imagens, o expectador é conduzido à percepção de que a despeito da convivência com imigrantes haitianos pouco ou nada sabemos a respeito de seu país de origem e cultura.

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Brunno, portanto, abre em nós uma interrogação que nos instiga a, como ele, abandonar lugares comuns e, admirados pela beleza das imagens, perceber que o nosso olhar está em construção.

Por falar em construção, a exposição Rekòmanse nos faz relembrar – a partir das tantas adaptações e reviravoltas vividas pelos haitianos – que a nossa própria cultura está em constante construção pois, especialmente no caso de Curitiba, temos a chance de pelos haitianos sermos apresentados a uma outra língua, a um outro modo de se deparar com as adversidades e nos reinventarmos enquanto comunidade, enquanto pessoas em busca de viver da melhor forma possível e de sonhar.

Rekòmanse – outras faces, outras histórias
Data: Até 26 de março
Local: Museu da Fotografia Cidade de Curitiba, Solar do Barão | Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533 – Centro
Horário: terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h; sábado e domingo, das 12h às 18h.
Informações: (41) 3321-3260
Entrada gratuita

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Sobre o Autor Andressa Barichello

Acredita na possibilidade infinita da palavra, sempre [des]construtora. É autora de "Crônicas do Cotidiano e Outras Mais" (Scortecci Editora, 2014). Além de escrever, é também mestre em Direito e Literatura pela Universidade de Lisboa.

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