Numa planície de iguais
uns braços, cálices, mergulho de rosas, voais.

Tenho medo do alto mar
Alto lá!
Lato cá
onde as ondas já quebraram.

Formas que posam como pedras
são, às vezes,
apenas uma matéria áspera
que se desmancha ao toque.

 

Para toda água-viva
pedra-viva.

Sem queda não se marca ponto,

Sem queda, eterno empate.

Limpar uma vidraça, ao contrário de outras limpezas
não visa o fim do pó, da sujeira
Limpar uma vidraça é tentar fingir não haver
algo concreto a separar o observador
do horizonte.

L-i-v-r-e
apesar dos escombros empreendidos.

Certos arranjos à beira-mar
mergulham em outros abismos

Pra longe da orla, ergue-se o
Lego
Triste legado.

Um ponto real em meio ao abstrato é preciso.

Nesse passo
O azul do céu e do mar
cada vez mais sem espaço

O chão às vezes se abre
adiante é sempre um labirinto;
mas subimos as escadas com o mesmo
interesse, disputa e ansiedade.

Depois de tomada uma certa distância
se descobre que o verde das montanhas é mais alto;
é paisagem mais vitalícia além obras
da cena imobiliária, edilícia.

Quando vou à praia, prefiro uma porção de água só minha
Mas isso que escolho pelo que parece
água de piscina natural
rejeito que não deveria correr para o mar.

Foto: Paulo Andrade
Verbo: Andressa Barichello

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Sobre o Autor Andressa Barichello

Acredita na possibilidade infinita da palavra, sempre [des]construtora. É autora de "Crônicas do Cotidiano e Outras Mais" (Scortecci Editora, 2014). Além de escrever, é também mestre em Direito e Literatura pela Universidade de Lisboa.

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