Benedito Costa

Eu já tinha sido entrevistado em diferentes meios e por diferentes pessoas, sobre diferentes temas. Já falei sobre literatura, sobre minha vida de escritor (sim, mesmo que isso pareça algo secundário na minha vida, eu levo muito a sério), sobre o ensino, sobre variadas questões de língua, sobre minha produção como designer, sobre outros assuntos que nem domino tão bem.

A maior parte das entrevistas teve jornalistas (ou leigos) preparados de modo estranho. No geral, as perguntas são as mesmas. Evidentemente que, se a entrevista é sobre literatura ou (ensino de) língua, as perguntas precisam se circunscrever a esses temas. O que eu digo — e posso dizer isso com con de causa, após vinte anos de jornalismo — é que a maioria dos entrevistadores é mal preparada. Ou as perguntas são óbvias porque necessitam de respostas prontas para serem editadas no jornal escrito ou com imagens num jornal televisivo, ou ( eu diria e) são perguntas que incorporam todo o preconceito sobre literatura ou lingua-linguagem. Passei terríveis experiências com repórteres que desejavam ardentemente que eu respondesse AQUILO que eles queriam ouvir — o que via de regra era exatamente o contrário do que eu penso. Exemplo mais claro disso é a noção que as pessoas têm sobre “língua” e o ensino dela.

Tive experiências interessantes, mas não exatamente por conta da entrevista em si, mas pelo fotógrafo ou pelo cinegrafista. As imagens eram consideravelmente superiores à entrevista. Houve casos, mesmo, em que as imagens serviram de apoio psicológico para o que eu vi depois na televisão ou no jornal, com amigos perguntando se eu “tinha dito aquilo mesmo, daquela maneira”!

A primeira entrevista que dei em que as perguntas casavam-se perfeitamente com o uso das imagens foi para o Fotoverbe-se. A entrevistadora fugiu completamente das perguntas padrão e do óbvio e me propôs perguntas inteligentes, que me faziam pensar para responder. No mesmo diapasão, a entrevista ocorreu de modo tão agradável, que eu me sentia “em casa” — e não falo do aspecto físico e sim do aspecto psicológico. Eu me sentia no meu território do dizer para dizer o que eu queria dizer e não dizer o que era esperado que eu dissesse.

Ao mesmo tempo, as imagens ficaram tão lindas, que me representam. Eu tive a felicidade imensa de ser retratado por fotógrafos e por artistas plásticos. Quase nunca paro para pensar nisso, mas quando eu me pego pensando, fico cheio de felicidades. Quantas pessoas no mundo podem/puderam ser retratadas por fotógrafos e por artistas? São raras — e eu sou uma delas. Claro que isso me enche de orgulho.

Então, o casamento perfeito da entrevista com as imagens foi uma das experiências mais bonitas que eu tive ao falar de mim e das minhas coisas, ao falar da escrita, da minha biblioteca, dos meus objetos do desejo (os animados e os inanimados). Ao abrir o site, posteriormente, fiquei chocado com a beleza do texto, que delicadamente construiu uma imagem de tudo que tinha sido conversado.

Foi uma tarde linda. E tempos depois eu repasso o texto e as imagens muito feliz.

Extremamente grato!